Se praticas Cross Training ou estás um pouco envolvido no mundo do fitness, de certeza que já ouviste falar dos Open Games. No entanto, apesar de serem mundialmente conhecidos, muitas pessoas não têm claro o seu funcionamento, a sua estrutura ou -ainda mais importante- se podem participar e desafiar os atletas mais reconhecidos.
Não te preocupes. Estás no lugar certo para descobrir tudo o que envolve e como surgiram as “olimpíadas” deste desporto que cada vez atrai mais pessoas. Faremos um percurso pela história Crossfit Open e os Games. Vamos a isso!
Os CrossFit Open Games são uma fase classificatória para o próximo passo: os Regionals.
O Open é uma competição global com treinos semanais que qualquer pessoa pode realizar (com escalonamentos/adaptações quando aplicável). Serve-te para:
- Medires o teu nível real com um padrão comum.
- Comparares-te contigo mesma/o (ano após ano).
- Participar no ambiente do box e seguir a temporada
Cada treino é anunciado numa quinta-feira e tens até segunda-feira para entregar a pontuação. Todos os maiores de 14 anos podem inscrever-se no Open, sem requisitos, e devem fazer o mesmo treino.
Como participar passo a passo
1) Regista-te
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Regista-te na plataforma oficial do Open (conta + inscrição).
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Escolhe afiliação (se competires desde um box afiliado) ou modalidade correspondente.
2) Faz o workout (quando for publicado)
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Lê o padrão, o material permitido e o formato de pontuação.
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Se o vais validar (juiz / vídeo), prepara tudo antes de começar.
3) Sobe a tua pontuação
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Sobe o resultado dentro da janela semanal.
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Se houver vídeo requerido ou recomendável, sobe-o com o enquadramento correto e sem cortes.
4) Repete se quiseres melhorar
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Podes repetir o workout dentro da semana para melhorar a marca (respeitando regras de envio).
Como te preparares (sem treinar “como louco”)
A semana antes
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Prioriza sono + mobilidade + técnica.
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Baixa um ponto o volume se chegares muito carregado/a.
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Pratica padrões: amplitude de movimento, contagem, transições.
O dia do workout
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Aquece mais do que o normal (10–20 min extra se houver cargas ou ginástica).
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Ensaiar 1–2 transições chave.
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Decidir o teu plano de séries antes de começar.
26.1: o que é, quem o quebrou e como enfrentá-lo com controle
26.1 é um "for time" com time cap de 12:00:
- 20 wall balls + 18 box jump-overs,
- 30 wall balls + 18 box jump-overs,
- 40 wall balls + 18 box step-overs com bola,
- 66 wall balls + 18 box step-overs com bola,
- e volta simétrica (40/30/20 wall balls com 18 box jump-overs entre meios).
Quem o fez (live announcement): Colten Mertens, Jayson Hopper, Dallin Pepper e Austin Hatfield.
Quem ganhou o 26.1: Colten Mertens com 11:16.10 (2º Hopper 11:32.90; Pepper e Hatfield ao cap com reps).
O que precisas (equipamento e setup)
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1 Wall Ball (só se pode usar um):
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Women Rx: 6 kg a 2,74 m de alvo (9 ft)
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Men Rx: 9 kg a 3,05 m de alvo (10 ft)
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1 caixa:
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Women Rx: 50,8 cm
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Men Rx: 60,96 cm
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Coloca a caixa a mínimo 3,05 m da parede do wall ball (segurança).
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Tiebreak: toma-se tempo após cada bloco de box (último bloco completado)
Como focar no primeiro Wod dos Open 2026
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Não te esgotes nos primeiros 20/30 wall balls. O workout decide-se no bloco central (40 + 66) e em como chegas de pernas.
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Wall balls: procura blocos sustentáveis desde o início (ex.: 20 sem quebrar se conseguires; 30 em 2; 40 em 2–3; 66 com descansos curtos pré-planejados).
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Box jump-overs: ritmo constante, transições limpas; evita saltos "a topo" que aumentem as pulsações.
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Step-overs com bola: aqui se vão os quadríceps. Mantém cadência estável e respira; não transformes isto num sprint.
Com isto já tens o importante: o que é 26.1, que material precisas e como planeá-lo para não morrer no bloco central. Agora vem a parte prática: aquece pernas e ombros com intenção, decide os teus blocos de wall balls antes de começar e mantém o box a um ritmo "sustentável". Se fizeres assim, chegas com hipóteses de apertar no final em vez de te arrastares.
26.2: o que é, quem levou no announcement e como enfrentá-lo com controlo
26.2 é um "for time" com time cap de 15:00:
- 24 m de lunges com haltere acima da cabeça
- 20 alternando snatches com haltere
- 20 pull-ups
- 24 m de lunges com haltere acima da cabeça
- 20 alternando snatches com haltere
- 20 chest-to-bar pull-ups
- 24 m de lunges com haltere acima da cabeça
- 20 alternando snatches com haltere
- 20 muscle-ups
Quem o fez (live announcement): Lucy Campbell, Mirjam von Rohr e Aimee Cringle.
Quem ganhou o live announcement do 26.2: Lucy Campbell, com 6:50. Depois entrou Aimee Cringle (6:57) e Mirjam von Rohr (8:08).
Vencedor oficial do 26.2 Open: todavia não está fechado. A janela oficial para enviar score termina a 9 de março de 2026 às 17:00 PT.
O que precisas (equipamento e setup)
1 haltere:
Mulheres Rx: 15 kg
Homens Rx: 22,5 kg
1 barra de tração para pull-ups e chest-to-bar.
1 conjunto de anéis para muscle-ups.
Distância de lunges:
24 m totais por ronda, divididos em segmentos de 6 m. É necessário virar a cada 6 m.
Como abordar o segundo wod dos Open 2026
Não te entusiasmes demais com o haltere. Este workout não se ganha nos snatches. Perde-se quando chegas exausto à barra e aos anéis.
Lunges com haltere acima da cabeça: ritmo estável. Não aceleres por adrenalina. Aqui o objetivo é avançar sem queimar ombro nem core.
Snatches com haltere: devem ser fluidos. Melhor controlo e respiração do que velocidade absurda.
Pull-ups: se estiveres no limite, pára antes de falhar. Um 10-10 limpo vale mais do que te esgotares por orgulho.
Chest-to-bar: aqui começa o verdadeiro filtro. Não comeces muito forte se não os dominares frescos e com fadiga.
Muscle-ups: chega com plano. Se não os tens muito sólidos, melhor séries curtas ou singles rápidos do que falhar reps.
Num workout onde o grip e a eficiência na barra fazem a diferença, usar umas Estafas que te deem aderência, proteção e confiança pode ajudar-te a manter o ritmo quando mais custa. Equipa-te com as tuas Estafas favoritas e soma repetições sem medo!
A chave real de 26.2 é esta: proteger o grip e o ombro desde a primeira ronda. Os lunges e os snatches parecem "a parte fácil", mas são exatamente o que te vai esgotando antes da ginástica de verdade. Se te entusiasmas no início, os chest-to-bar ficam presos e os muscle-ups tornam-se uma loteria.
Com isto já tens o importante: o que é 26.2, que material precisas e como planeá-lo sem te suicidares na primeira metade. Aquece bem ombros, dorsais, kip e transição para anéis. E, sobretudo, decide antes de começar como vais dividir pull-ups, chest-to-bar e muscle-ups. Neste wod improvisar costuma sair caro.
26.3: mais barra, mais fadiga e zero pausas grátis
26.3 fecha o Open 2026 com um workout for time de 16 minutos no qual se combinam burpees over the bar, cleans e thrusters, aumentando a carga em três blocos. É um teste muito claro de resistência muscular, capacidade de manter a técnica sob fadiga e gestão do esforço quando a barra começa a pesar de verdade.
26.3 é:
- 2 rondas de:
- 12 burpees over the bar
- 12 cleans com o peso 1
- 12 burpees over the bar
- 12 thrusters com o peso 1
- 2 rondas de:
- 12 burpees over the bar
- 12 cleans com o peso 2
- 12 burpees over the bar
- 12 thrusters com o peso 2
- 2 rondas de:
- 12 burpees over the bar
- 12 cleans com o peso 3
- 12 burpees over the bar
- 12 thrusters com o peso 3
Time cap: 16 minutos.
Pesos Rx oficiais:
- Mulheres: 29, 34 e 38 kg
- Homens: 43, 52 e 61 kg
O que costuma medir o 26.3
Este treino não premia sair a todo vapor. Premia quem sabe mover-se com eficiência, respirar durante os burpees, tocar a barra sem perder tempo e chegar ao último bloco com margem para continuar a ser funcional. Os cleans castigam a pegada e as costas se acelerares demais, e os thrusters disparam a fadiga sistêmica quando já vens muito carregado.
Estratégia base para enfrentá-lo
A chave está em quebrar o mínimo possível desde o início, mas sem entrar em dívida muito cedo. Nos burpees, o mais rentável costuma ser manter um ritmo constante e limpo. Nos cleans, interessa evitar séries que te obriguem a uma recuperação longa. E nos thrusters, convém respeitar a barra desde o primeiro bloco, porque cada corte extra nos últimos pesos te penaliza muito mais. Isso se torna ainda mais importante porque o relógio não para e além disso cada atleta deve mudar os seus próprios discos durante o workout.
Erros típicos do 26.3
Um dos erros mais comuns é tratar o primeiro peso como se fosse um aquecimento rápido. Não é. Se te excedes aí, chegas ao segundo bloco com o pulso alto e ao terceiro sem capacidade de sustentar a barra. Outro erro claro é improvisar as mudanças de peso. No 26.3 isso também conta, porque qualquer transição desajeitada te rouba segundos e corta o ritmo. CrossFit deixa claro ainda que só se pode usar uma barra, com colares colocados e sem ajuda externa para mudar a carga.
Se 26.1 castigava o volume e 26.2 pedia controle técnico, 26.3 finaliza o Open com uma combinação muito simples no papel e muito dura quando a executas a ritmo real. Aqui não vence quem mais aperta no início, mas quem melhor administra pernas, respiração e barra até o último thruster.
Perguntas sobre os Open 2026
Quando sai o 26.1 / 26.2 / 26.3?
26.1: 26 fevereiro 2026. 26.2: 5 março 2026. 26.3: 12 março 2026.
Até quando posso enviar o score cada semana?
Semana 1 até 3 março, semana 2 até 10 março, semana 3 até 17 março (segundo calendário oficial).
Posso fazer desde casa?
Depende do workout, do material e dos requisitos de validação. Se competes “a sério”, revisa standards, judge e vídeo.
¿Posso repetir o workout?
Sim, dentro da janela semanal, e submete o melhor resultado segundo as regras vigentes.
O que acontece se eu não submeter um resultado?
Normalmente considera-se 0 para essa semana ou não conta, e te afunda na classificação.
O que devo priorizar: ir a todo vapor ou fazer limpo?
Faça limpo. Os erros, no-reps e descansos longos saem caros.
O Open se ganha com três coisas: ritmo, ordem e consistência.
Guarde esta página: iremos atualizando cada workout (26.1, 26.2 e 26.3) com um guia rápido de estratégia e checklist.
Queres estar preparado/a para os Open 2026?
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Equipa-te com o básico: cordas, Estafas e acessórios.
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E chega com um plano: pacing + transições + padrão.
Um breve percurso pela história dos Open Games
No entanto, para entender melhor o que são os Open temos que fazer um percurso através dos anos. Desde o momento em que se criaram os Games com tan apenas alguns participantes até o que conhecemos hoje.
Primeiros anos dos Games
Os Games nasceram em 2007 por Greg Glassman, fundador da marca CrossFit® e Dave Castro, um ex-Navy SEAL que mantém o cargo de diretor da competição desde a sua inauguração. Daí que a natureza do CrossFit fosse um treino de alta intensidade dirigido a militares, bombeiros, polícias e outros corpos de segurança e defesa, mas que, finalmente, acabou atraindo adeptos de todo o mundo.
A primeira vez que se celebraram os CrossFit Games foi a 30 de junho de 2007 e tiveram lugar no rancho familiar de Dave Castro situado na Califórnia. Por então, os atletas que quisessem participar unicamente tinham que deslocar-se ao local para inscrever-se, ser maiores de idade e estar associados aos ginásios da marca CrossFit. Esta primeira edição acolheu, tan apenas, 60 atletas e o prémio era de 500 dólares. Durante os dois primeiros anos muitas pessoas começaram a dar eco desta competição e, devido às centenas de solicitações de participação, a organização viu-se obrigada a criar uma fase preliminar onde os inscritos deveriam se classificar previamente se quisessem competir no evento final dos Games. Foi assim que, em 2009, nasceram os Regionals dos CrossFit Games. Naquele momento, também foi criada a categoria por equipes, que deveriam ser compostas por quatro membros, dois homens e duas mulheres.
Os Open de CrossFit, os Masters e a entrada da Reebok
Em 2010, a competição já havia se estendido a nível mundial e, novamente, a organização teve que realizar mudanças. Surgiu assim uma nova classificação denominada os Open de CrossFit. Os Open de CrossFit consistiam em uma classificação por países onde os atletas tinham que enviar seus resultados em forma de vídeo via online ou através da verificação de um treinador com licença CrossFit, com o objetivo de alcançar os Regionals e ser os melhores das 17 regiões - 12 delas distribuídas entre EUA e Canadá, e as 5 restantes distribuídas pelos outros continentes-. Além disso, devido ao crescente número de participantes, a competição foi transferida para o Home Depot Center - atualmente conhecido como Dignity Health Sports Park-. Também foi necessário modificar o número de integrantes por equipe, passando de quatro para seis. Por outro lado, foi criada a categoria Masters, que compreendia homens e mulheres a partir de 55 anos. Desta forma, equilibrava-se a competição em relação às condições físicas devido à diferença de idade com os mais jovens. Ano após ano, a competição foi se tornando mais popular não só entre esportistas, mas também entre as marcas. Tal era o sucesso que, em 2011, a marca Reebok tornou-se o patrocinador oficial dos CrossFit Games. Com esta entrada, os prêmios começaram a ter um valor 10 vezes maior.
Já não havia mais dúvidas. Este "novo" esporte colhia sucessos e conseguia se posicionar.
The Regional e Sanctionals
Em 2015, o sistema de classificação voltou a sofrer mudanças e surgiram os Super Regional ou The Regionals. Foram formados oito eventos regionais - em vez de 17-. Classificavam-se para os Super Regionals, 20 mulheres, 20 homens e 30 equipes mistas por região, para lutar por um lugar no evento final dos CrossFit Games onde participaram um total de 40 mulheres, 40 homens e 40 equipes mistas. Em 2017, voltou-se a mudar a localização e foi transferido para o complexo esportivo Alliant Energy Center, situado em Wisconsin.
Em 2018, a organização tomou a decisão de suprimir os Regionals devido ao excesso de investimento económico que representava. No entanto, o fundador de CrossFit, Greg Glassman, informou que começaria a colaborar em competições independentes que catapultariam diretamente para a classificação dos CrossFit Games os vencedores. Foi assim que surgiram os Sanctioned Events ou Sanctionals.
Coronavírus, polêmica com a Reebok e CrossFit Games 2020
Em 2020, devido a um tweet polêmico publicado por Greg Glassman, criador da marca CrossFit, a Reebok decidiu romper de forma unilateral a negociação de contrato com o programa de treino que expirava no final de 2020, e centenas de ginásios afiliados desvincularam-se da marca. Os CrossFit Games 2020 estavam em perigo. Perderam patrocinadores e muitos atletas recusaram a participação no campeonato. Como consequência, Dave Castro, até agora co-diretor dos treinos, tornou-se CEO de CrossFit e os CrossFit Games foram salvos. A 24 de junho, Eric Roza comprou a empresa e tornou-se o novo CEO. Assim, após a pandemia mundial do Coronavírus, os CrossFit Game sofreram mudanças novamente. Foram adiados para 23 de outubro, voltou-se ao rancho de Dave Castro e o público foi suprimido.
E com essas mudanças (formato, sedes, patrocinadores e contexto global), ficou claro que a competição nunca foi “algo fixo”: adapta-se a cada ano para continuar a ser mensurável, escalável e relevante.
Por isso, se hoje procuras os Open 2026, o importante não é apenas a história, mas como funciona agora: calendário, estrutura por semanas, forma de enviar resultados e o que precisas para competir com garantias. Vamos ver.

